Eu realmente queria saber o que anda acontecendo com as pessoas ultimamente. Aliás, não sei se é só ultimamente ou se esse tipo de coisa sempre aconteceu e eu é que só estou notando agora. Mas aparentemente as pessoas perderam toda a noção. Sério. Primeiro o querido síndico do meu condomínio, aliás ex-síndico. Inclusive ai é que reside o problema, ele acha que porque foi síndico uma vez, agora o cargo é dele pra sempre, não só o cargo, o condomínio inteiro. Eu desconfio seriamente de que ele planeja dominar o mundo qualquer dias desses... Me digam qual é a graça de você ser síndico? Todo mundo enche seu saco, e, a meu ver você só ganha um monte de preocupações extras. Mas parece que ele gosta, provavelmente deve ter motivos escusos... Sei lá, tipo passar a mão na grana que a gente paga pro condomínio, vai saber, é a unica vantagem que eu consigo imaginar. Mas sério, que coisa tosca. Ele parece até um vilão de filme trash barato de quinta categoria: "Hoho, o condomínio será meu! SÓ MEU! MUAHAHAHAHA!". Pff... Grande, e aí você vai fazer o quê? Expulsar todo mundo e morar aqui sozinho? Instaurar a Era da Ditadura no Condomínio? Escravizar a galera para atender a todos os seus caprichos? Me poupe. Procure um objetivo maior na vida, ou uma ocupação mais interessante, tipo ver a grama crescer. As vezes eu acho que os adultos são mil vezes mais idiotas que os jovens. Só as vezes, porque ai me vem uma criatura como esta: o animalzinho deve ter por volta dos seus 15 anos, não tem o que fazer e resolveu encher o saco dos outros. Eu nem deveria me importar na verdade, mas para ser sincera, não sei se acho graça ou fico com raiva. Foi uma coisa bem idiota. Existe um site de relacionamentos chamado Skoob, que se parece com um híbrido entre o LastFM, o Filmow e o Orkut, só que de livros. Lá você pode por em sua "estante" os livros que você já leu, aqueles que você ainda quer ler, os que você abandonou, os que está relendo, sua meta para o ano, etc. Você também pode criar grupos, que funcionam basicamente como as comunidades do Orkut. Pois bem, minha amiga criou um grupo chamado "Skoobers RN" e eis que me aparece um retardado e cria um grupo igual. Como se não bastasse, ele pede para que o grupo dele seja associado e divulgado no grupo da minha amiga, coisa que ela fez com a maior boa vontade. Não estando satisfeito, o ser energúmeno começou a promover o próprio grupo fazendo propaganda negativa do grupo dessa minha amiga. Aqui vai um trechinho para o deleite de vocês, esta foi a resposta que ele me deu quando eu perguntei qual era a diferença entre o grupo que ele havia criado e o grupo da minha amiga:


"O grupo skoobers rn não tem muitas discussões e debates interessantes, tem muitos topicos mas, não necessariamente importantes e uteis, no sentido de ter uma intenção comunicativa, entende?
Além disso, vc deve estar pensando "por que não complementa esse grupo mesmo?" bem, eu estou online todo dia utel, pronto para atualizar o grupo, as conversas, os debates, etc, por isso preciso ser necessariamente um moderador.

Ai vem outra pergunta "pessa pra ser moderador
"
nesse caso eu gostaria de excluir alguns topicos pendentes deste grupo, não por maldade, mas por outras questões.
O grupo "Skoobers (RN)" é o maior e mais completo grupo do Skoob tipo skoobers UF. Um conjunto de debates assemelhado e incorporado as melhores discussoes de cada grupo skoob, isto é, tem um pouco de cada grupo.

Espero ter ajudado!"

Tá certo, vamos destacar aqui que nem escrever ele sabe. Utel? Pessa? Queridinho, acho que você deveria passar menos tempo no Skoob e mais tempo estudando. O grupo dele tem 8 pessoas e mil tópicos, os quais foram criados por ele próprio e respondidos por no máximo 1 pessoa, além dele mesmo. Isso é triste. Tudo bem que o nosso grupo também não é lá grandes coisas, só tem 53 pessoas, mas vamos levar em conta que o Skoob não é lá muito conhecido também... Eis a minha resposta:

"Oi R.J., primeiro de tudo eu queria perguntar quais são os tópicos que você considera inúteis e sem importancia e que, portanto, deveriam ser apagados? Se você apresentar algum motivo cabível nós podemos considerar a possibilidade de apagá-los. Entretanto, a meu ver, nenhum dos tópicos apresenta conteúdo ofensivo ou desrespeitoso. Sendo assim, eu não vejo motivo para apagá-los. Como Giulia disse, não cabe ao moderador instaurar uma ditadura no grupo e só permitir que sejam discutidos aqueles assuntos que considera pertinentes. O grupo é de todos, e, dessa forma, as pessoas devem ter liberdade para expressar suas opininões, falar dos assuntos que desejarem ou até mesmo divulgar o que quiserem, desde que se mantenha sempre o respeito, inclusive por esse motivo você tem total direito de continuar divulgando seu grupo aqui, contanto que de forma respeitosa. Eu tenho grupos criados por mim, e há neles tópicos que eu, particularmente, considero desinteressantes e desnecessários, mas nem por isso eu os apaguei.
É muito bom que você tenha tempo de acessar ao skoob todos os dias, mas, falo por mim e por Giulia, quando digo que a UFRN toma muito tempo e por isso não podemos estar aqui o tempo todo, mas nem por isso nossos grupos estão abandonados.
Também não entendi o que você quis dizer com “grupo maior e mais completo”, só porque tem muitos tópicos? Você poderia criá-los aqui... E, que eu saiba, 53 ainda é maior do que 8... kkkkkk
"

Eu sei, eu sei, EU SEI! Eu estou perdendo meu tempo ligando para uma idiotisse dessas, mas é que PORRA! Eu acho que cara-de-pau tem um limite... Não sei, eu acho realmente que as pessoas desaprenderam a viver em sociedade, ou nunca souberam mesmo. O que custa você ficar na sua e deixar os outros em paz? Tenho pena, sério mesmo...


Oi, como vai você? Sim, sim, assistir aos vídeos do Pecê Siqueira tem sido uma das minhas formas de me divertir ultimamente... os do Felipe Neto também e não posso esquecer dos Improváveis... Provavelmente é porque são coisas rápidas que eu posso assistir entre um trabalho e outro. Por sinal, já posso dizer, feliz da vida (ou não.), que perdi uma noite de sono inteira por causa da faculdade... Sim, isso mesmo, era o Sol nascendo e eu pensando "Merda, merda, merda, MERDA! Não vai dar tempo de terminar a porqueira da maquete!". Posso dizer com segurança para vocês que aquela foi a maquete mais sebosa já feita em toda a história da humanidade, cheia de fita adesiva, coisa se soltando, enfim... Uma gracinha. Fazia tempo que eu não escrevia aqui... provavelmente a unica pessoa que lê esse blog vai dizer: "Porra, para de falar isso! Você diz isso em TODAS as postagens... que saco". E essa pessoa é Alfred, meu amigo e as vezes namorado imaginário, dependendo do caso em questão. Para quem não o conhece, Alfred mora em baixo da minha cama e sempre aparece nas mais diversas situações: desde portas que se abrem sozinhas, até ocasiões em que eu estou sobrando no meio de vários casais. Mas enfim, resolvi escrever por recomendação da minha dentista. PERA, PERA, PERA! Momento UEEEEEEEPA! Como assim sua DENTISTA? Sim, minha dentista. Pelo menos de forma indireta... Tudo bem, ela não disse exatamente "Pare de ser preguiçosa e volte a escrever seu blog.", mas ela disse que eu precisava de uma forma de extravasar minhas emoções. Isso porque eu tenho uma droga de uma doença chamada bruxismo. E o que é bruxismo? É algo que faz você parecer ter dentes de uma pessoa de 40 anos quando você só tem 18. Brincadeira, mas é quase isso. Bruxismo envolve um ragimento de dentes noturno, no estágio mais profundo de sono, do qual você não acorda facilmente e por isso não percebe que está simplesmente triturando seus próprios dentes. O bruxismo, se bem me lembro, pode ter várias causas, no meu caso é emocional. Ou seja, eu guardo as minhas preocupações, frustrações e revoltas só para mim, para depois descarregar nos meus dentes à noite. Sendo assim, eu resolvi vir aqui descarregar todas as bobagens que estão se passando na minha cabeça, pelo bem do meu sorriso, HA!

Pois bem, uma coisa que tem me incomodado bastante foi a futilidade de uma conversa que eu assisti. Sim, assisti porque me recusei a participar de uma leseira dessas. As pessoas estavam discutindo copos. COPOS, cara. Sério que vocês não tem nada melhor para falar? Uma dessas pessoas era a minha mãe, mas mesmo assim pô... Elas estavam conversando sobre os tipos certos de copos para cada tipo de bebida e a forma como eles deveriam ser dispostos na mesa, ai uma coisa leva a outra e daqui a pouco estavam falando de talheres, pratos, regras de etiqueta e blá, blá, blá, blá... A frase premiada foi: "Ah, mas eu vi na televisão que agora pode tudo! Você pode até usar taças coloridas!! Só não sei nada sobre copos de cerveja...". Foi ai que eu me revoltei. É tudo copo, minha gente. Caneca, taça, xícara... Essa porra toda são só variações do conceito de copo. COPO. Copo: "é o objeto feito de vidro, plástico, ou outros materiais, usado geralmente para beber líquidos", já dizia a Wikipedia. Tá aí, não importa se você põe ele na quina ou no meio da mesa, em cima do prato ou da sua cabeça, em fila ou de cabeça pra baixo... Foda-se. Ele continua servindo para a mesma coisa. E outra, eu posso tomar Coca-Cola em uma xícara se eu quiser, e aí? Vai me bater por causa disso? "Ah não, mas veja bem, é que o vinho branco tem que ser servido em uma taça de corpo pequeno e as de vinho tinto em taças de corpo grande, para se apreciar melhor o sabor". Ah sim, sei, fala com minha mão. Não importa o recipiente em que você o coloque, o liquido não vai mudar de gosto, textura, propriedades físicas, químicas, enfim...
Bem, é isso ai... Vocês notaram que eu falei um monte de palavrões aqui, coisa que eu não costumo fazer? Pois é, em parte isso é por causa do meu plano de usar o blog para extravasar e em parte porque eu ando falando mais palavrões ultimamente... Provavelmente por causa dessa vidinha de merda que eu estou levando ao cursar arquitetura. Eu tinho várias outras coisas para falar, infelizmente (ou felizmente, aqui é que nem a Globo, Você Decide!) uma parte eu esqueci e a outra eu estou com preguiça e sono demais para escrever, portanto this is good bye. Não, eu não estava drogada ao escrever esse post, só com muito sono. Sono porque hoje meu dia foi intenso, só que de um jeito bom, para variar. Eu me diverti, acredite se quiser. Fui para a Dança do Ventre, para a Lagoa do Carcará (o Caribe do natalense pobre) e para uma aniversário. Então, por hoje é só pessoal.


Não vou nem me desculpar por ter sumido tanto tempo pelos seguintes motivos:
1- Ninguém lê isso aqui mesmo
2- Eu nunca prometi que iria postar regularmente
3- Se eu sumi até da vida dos meus amigos, por que não iria sumir da internet também?
4- Uma pessoa que faz arquitetura tem motivos de sobra para sumir quando quiser



Falando nisso, algum de vocês viu minha vida social andando por ai? Aparentemente ela se assustou com a insanidade dos meus professores e sua compulsão por passar trabalhos e decidiu que o melhor a fazer era fugir de mim. Bom, se algum de vocês a encontrar, por favor me devolvam. Ela podia não ser grande coisa, mas realmente faz falta.


Coisas estranhas andam me acontecendo... Quinta-feira eu acordei no meio da noite e tentei acender a luz do meu quarto, mas o interruptor não funcionava por mais que eu tentasse. Decidi me levantar no escuro e tentar desligar o ar-condicionado, mas também não deu certo. Ele continuava ligado, não importando quantas vezes eu apertasse o botão. Lembrei-me então daquele filme,
Waking Life, e me vi dentro de um sonho lucido. Só para ter certeza, tentei fechar a porta do meu armário, coisa que também não deu certo, então me forcei a acordar. Liguei a luz do quarto e sentei na cama, com uma sensação estranha, mas achando a situação engraçada. Para quem nunca assistiu o filme, trata-se de um garoto que se vê preso em sonhos nos quais encontra diversas pessoas com quem tem longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas. Em um desses sonhos, ele aprende como descobrir se está ou não sonhando: ele deve tentar ligar a luz, se o interruptor não funcionar é um sinal de que ele está em um sonho e então, tendo consciencia disso, ele poderá controlar suas ações e guiar o rumo do sonho.
Outra coisa estranha me aconteceu quando eu fui comprar pão, junto com uma amiga. Eu estava entregando o dinheiro ao caixa, quando ele olha para mim e diz "O que você estava fazendo perdida na Zona Norte? Lá na igreja da Redinha...". Como o tico-e-teco demorou a funcionar, eu não entendi na hora, então me limitei a dar um sorriso idiota e nenhuma resposta. Saindo da padaria olhei para minha amiga em busca de alguma compreensão e foi quando nós lembramos que, realmente, há mais de um mês nós haviamos estado na Zona Norte tirando fotografias da Capela de Pedra para um trabalho da faculdade. Agora eu pergunto: como diabos esse homem lembrava de mim? Eu quase nunca vou até aquela padaria... Aliás, melhor: como diabos ele lembrou após MAIS DE UM MÊS que viu uma das milhares de pessoas que compram pão naquela padaria tirando foto de uma igreja do outro lado da cidade? Estranho... minha amiga ficou brincando, dizendo que eu era um
Receptor Vivo e que nós estavamos em um Universo Tangente e por isso coisas estranhas andam me acontecendo, porque eu tinha que ajeitar a corrupção no tempo... Então eu disse que se eu era um Receptor Vivo, ela era uma Manipuladora Viva (ou Manipuladora Morta, vai saber...). E sabem o que isso prova? Que falta de horas de sono e "filmes viagem" não combinam. Portanto, se vocês andam dormindo pouco, não assistam Donnie Darko, ou vão ficar viajando na maionese que nem a gente. Mas, se por outro lado, vocês estão bem descansados, eu recomendo que assistam. É um filme bem interessante, mas eu duvido muito que vocês entendam de cara, sem ler nenhuma explicação na internet... ou talvez entendam e eu que sou desinformada... vai saber.

Enfim, vou ficando por aqui porque preciso estudar. O post está um tanto mal escrito porque, como vocês notaram, eu não ando praticando muito minha escrita. Até a próxima, espero que seja nessa encarnação _o/

Sensatez


As emoções bombeiam o que precisa ser dito em direção a garganta.
Lá as palvras presas se dissolvem em meio a razão,
tornam-se ecos perdidos em frases soltas e sem nexo,
distanciadas de seu real sentido.

...Porque não me conheceu.

Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.


Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.

Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguir
driblá-las, uma quinta surgirá do nada.


Se você tem alguma coisa há muito tempo, pode jogar fora. Se você jogar
fora alguma coisa que tem há muito tempo, vai precisar dela logo, logo.


Mesmo o objeto mais inanimado tem movimento suficiente para ficar na sua
frente e provocar uma canelada.


Por mais bem feito que seja o seu trabalho, o professor sempre achará onde
criticá-lo.


Você nunca vai pegar engarrafamento ou sinal fechado se saiu cedo demais
para algum lugar.


Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que
fazer, senão estudar a matéria dele.


Nunca há horas suficientes em um dia, mas sempre há muitos dias antes do
sábado.



Falando sério, as vezes eu acho que eu tenho alguma coisa que atrai azar. É incrível. Vou contemplá-los com algumas das maravilhas que me aconteceram só hoje:

Acordei às cinco quando só precisava acordar às seis (tudo bem, isso não foi grande coisa, mas já começou mal). Mesmo tendo acordado cedo pra caramba, saio tarde de casa e chego atrasada na faculdade. Lá vejo uma menina que estudou comigo na escola, tento apressar o passo para alcançá-la, viro o pé na escada e quase caio em frente à um bando de gente desconhecida, mas consigo me equilibrar à tempo de evitar o tombo (meu pé fica doendo). Mais tarde, já em sala de aula, sento-me em um banquinho-torturador-de-costas em frente à prancheta de uma amiga. Conversando animadamente com ela, cruzo as duas pernas de forma que elas acabam ficando presas e me impedem de parar meu lento deslizamento para fora do banquinho (tudo bem, consegui me agarrar à prancheta e sai dessa sem maiores danos, mas não sem maiores sustos). Chegando em casa, subo para o meu quarto para tentar dormir um pouco. O maldito telefone toca de meia em meia hora e não me deixa dormir. Começo a assistir televisão, ao meio dia minha mãe me chama para almoçar bem na hora em que Friends está começando. Começo a descer a escada ainda meio grogue de sono e com preguiça, viro o pé, caio de bunda em um batente e bato o braço no corrimão. Fico lá sentada, com dor e com a cabeça ainda girando de sono. Terminado o almoço, subo e vou procurar umas plantas antigas que vou precisar levar amanhã para a faculdade. Surpresa: não consigo encontrar uma das plantas baixas que deveria estar comigo, mas encontro uma perscetiva que deveria ter sido entregue ao professor há duas semanas. Incrível, simplesmente incrível. E aqui estou eu agora, quase inteira. O dia passou, eu adiantei muito pouco dos meus trabalhos e mesmo assim prefiro vir aqui escrever besteira... talvez as coisas que me acontecem sejam castigo ._.

A Lei de Murphy é para todos



EU QUERO PODER OLHAR PRA ONDE EU QUISER!
Eu duvido que eu seja a única pessoa que faz isso. As vezes, eu gosto de simplesmente olhar para as pessoas, sabe? Reparar nos traços do rosto, nas formas e posições do corpo, no modo como a luz se comporta sobre aquela pessoa naquela situação, na forma como o cabelo se movimenta junto com o movimento da pessoa ou como ele fica quando ela está parada em determinada posição. Gosto também de reparar nas roupas, na forma como elas se dobram em certas partes e permanecem esticadas em outras, na forma como se percebe o volume por baixo delas, além de prestar atenção nos variados modelos e estilos não só de roupas como de sapatos. Também gosto de notar como a luz é refletida de formas diferentes nas várias texturas de materiais... De vez em quando (quem me conhece com certeza sabe), eu simplesmente me perco nos meus pensamentos e fico olhando para um ponto fixo. Acontece que as vezes esse ponto fixo é uma pessoa. O que eu acho um saco é que nessa nossa sociedade você não pode simplesmente olhar para alguém sem acharem que você:

a) Está secando a pessoa
b) Está achando a pessoa feia
c) Achou a roupa/o cabelo/o sapato da pessoa de mau gosto
d) Está com inveja da roupa/do cabelo/ do sapato
f) Está querendo puxar briga

Enfim, por que eu não posso simplesmente olhar para a maldita pessoa sem achar nada? Não, ninguém pensa nessa possibilidade! Eu não sei se eu reparo tanto nos outros porque eu gosto de desenhar... mas sei lá, as vezes você nem está olhando mesmo para a pessoa, como eu disse lá em cima. Você está voando e simplesmente calhou de você ficar olhando sem ver naquela direção. Vai ver eu que sou estranha mesmo... eu e minhas revoltas internas sem sentido...

Tá olhando o quê, otário?!?

Aah, como é boa essa sensação de "falsa liberdade"... Todos os trabalhos que eu tenho para entregar são só para o fim do semestre e, como uma boa adepta do "pânico do último minuto", eu vou deixando o tempo passar até que se aproxime inevitável dia em que eu terei de fazer alguma coisa. Você deve estar pensando: você deveria fazer logo e se livrar disso de uma vez. Claro, eu respondo, claro que eu deveria. Mas quem disse que eu consigo? Uma coisa grande e pegajosa se apossa do meu ser e me impele à vagabundagem. Ela se chama preguiça. Sendo assim, ontem, ao invés de fazer meus trabalhos, fui ao cinema com uns amigos da faculdade. Nós assistimos Os Fantasmas de Scrooge em 3D. Hehe 3D é legal, principalmente quando minha mãe está do meu lado se assustando com as coisas que "vem na direção dela" (pena que ontem eu não tive essa diversão). O filme provavelmente é melhor na sua versão original, por isso não vou deixar o fato de a dublagem ser uma droga afetar minha opnião. Antes de assistir pensei: pff, ótimo, maaaaaais uma versão estranha para a história d'Os Fantasmas do Natal. Mas, sabe, o filme até que foi fiel ao livro. Não posso dizer com certeza o que está diferente porque li o livro na falecida quarta série, que Deus a tenha. Apesar de já bastante batida, é uma historinha interessante e que, afinal, ensina uma lição.
Falando em livros e em vagabundagem, há alguns dias atrás eu li Lugar Nenhum (Neverwhere), de Neil Gaiman. Eu só tenho uma palavra para descrever Neil Gaiman: foda. F-O-D-A. Sinto muito pelo palavreado chulo, mas não encontro outra forma de me expressar.

"Dizer que Lugar Nenhum é uma espécie de Alice no País das Maravilhas com uma virada punk não faz justiça ao primeiro romance de Neil Gaiman, mas serve para definir seu tom. Gaiman é mestre na arte de criar e povoar mundos. Em Lugar Nenhum, ele consegue se superar."
Poppy Z. Britte, autora de Plastic Jesus

Sinceramente, não faço idéia de quem seja Poppy Z. Britte, mas com certeza ela tem toda a razão. Com humor e inteligência, Gaiman funde fantasia e realidade ao criar todo um complicado universo localizado sob Londres, chamado Londres Subterrãnea, povoado por monges, condes, assassinos, nobres e dacaídos. O livro originalmente era um seriado de TV, que foi ao ar pela BBC, sendo posteriormente transformado em um romance em prosa por Gaiman. Além de já possuir uma versão em quadrinhos (imagem do início do post), Neverwhere vai ganhar também uma adaptação para o cinema, dirigida por David Slade. Uma das coisas que me chamou bastante a atenção nesse livro foram as riquíssimas referências feitas por Gaiman, indo desde o Marquês de Carabas (O Gato de Botas), com seus coturnos e essência felina até às sedutoras Lâmias.

Agora eu pergunto: vocês sabem o que são Lâmias? Haha, depois de toda essa enrolação, era aqui que eu queria chegar. Quem não gostar de mitologia pode parar por aqui.

As Lâmias são a origem dos nossos velhos conhecidos, os vampiros. Isso mesmo, Edward, você deve muito aos mitos gregos e medievais. Lâmia vem do grego laimos, que siginifica garganta. Imaginava-se que eram mulheres muito bonitas e fantásmagóricas, que devoravam crianças ou que, através de artifícios sexuais, atraíam jovens rapazes à seus leitos, para que então pudessem devorá-los ou sugar-lhes o sangue. Apesar de poderem assumir a forma humana, acreditava-se que após satisfazerem seus objetivos, elas voltavam a sua verdadeira forma de mulher-serpente ou de uma besta quadrúpede e feroz. O Termo Lâmia, na Alta Idade Média, era usado para referir-se à espíritos que voavam à noite, do folclore popular.
De acordo com um mito, Lâmia foi originalmente uma rainha da Líbia, filha de Poseidon e que manteve um caso com Zeus. Hera, movida pelo ciúme, transformou Lâmia em um monstro e matou seus filhos. Condenou-a, ainda, à nunca poder fechar seus olhos para que fosse eternamente aflingida pela imagem de seus filhos mortos. Zeus apiedou-se de Lâmia e deu-lhe o dom da profecia, além da capacidade de tirar e pôr os olhos, para que ela pudesse descansar. Ainda assim, Lâmia sentia inveja das outras mães e por essa razão devorava seus filhos.
Há, ainda, várias curiosidades e versões sobre as Lâmias e eu poderia ficar falando delas aqui por bastante tempo, mas para a sorte de vocês, eu não vou. Eu me interessei por elas porque não foi em Neverwhere a primeira vez que eu vi referências feitas às Lâmias. Na verdade, Gaiman também faz referência a elas em Stardust. Isso mesmo, a bruxa Lilim. Lâmia também aparece em Fome de Viver ou The Hunger. Apesar de não ser citado no filme, e sim no livro (eu só vi o filme, mas me contaram), a personagem principal é na verdade Lâmia. O filme é legal, se você não se incomodar com algumas ceninhas trash. Por fim, os dois quadros aqui mostrados apresentam duas Lâmias. Eles são de John William Waterhouse, um pintor pré-rafaelita, que gostava muito do tema "mitologia". Ambos os quadros são baseados no poema de John Keats:



She was a gordian shape of dazzling hue,
Vermilion-spotted, golden, green, and blue;

Striped like a zebra, freckled like a pard,

Eyed like a peacock, and all crimson barr'd;

And full of silver moons, that, as she breathed,

Dissolv'd, or brighter shone, or interwreathed

Their lustres with the gloomier tapestries--

So rainbow-sided, touch'd with miseries,

She seem'd, at once, some penanced lady elf,

Some demon's mistress, or the demon's self.